Artigos de janeiro de 2008
Sensibilidades
O vinho
derramado, pelo corpo
da jovem, rolava.
Seu corpo
coberto apenas por um vestido de
seda branca, que virou vermelha
pelo vinho derramado, colava em sua pele.
A jovem gemia pelo prazer
que sentia, vendo o vinho percorrer
suas partes mais
Sensíveis.
Gelado estava o vinho,
quando o bebi,
sobrando apenas um
vestido de seda – já branco.
Apesar do engasgamento
na pele morena e sensível
da jovem que gemia
e sentia prazer.
Para onde vai o Carnaval
Está praticamente tudo preparado, não, os ensaios para o Carnaval continuam a mil e todos estão se preparando para a apoteóse.
Ainda não descobri porque uma festa envolve tanta gente e consegue contagiar milhões de pessoas, brasileiros e estrangeiros, homens e mulheres, jovens e velhos, anônimos e famosos.
Até o governo faz campanha para combater a exploração sexual durante o Carnaval, faz campanha para uso de preservativos no combate a AIDS, mas não declara feriado nacional.
Em todo o país, de norte a sul, o povo brinca o Carnaval. São blocos, são Trios Elétricos, são bailes de Carnaval, são desfiles organizados ou não, são novas músicas que surgem.
A pouco tempo eram quatro, no máximo cinco dias de folia, mas agora entra janeiro e a folia já toma conta. Será este o verdadeiro Carnaval que o povo gosta? Será este o Carnaval que o turista estrangeiro vem a procura?Ou será este o Carnaval que os organizadores dos grandes desfiles no Rio e em São Paulo, ou até mesmo nos Trios Elétricos de Salvador
impõem à troca de meia dúzia de reais para obter lucros impensáveis?
Andei observando as entrevistas do pessoal das Escolas de Samba, do povo que vai desfilar, é um a gente simplória, fazem de tudo para aparecer um minuto na tela televisiva, falando, dançando ou sambando , sendo o protagonista ou um mero coadjuvante (sem remuneração) neste grande espetáculo, o Carnaval.
Não aguento mais as vinhetas chamativas. Não aguento mais a “Globeleza”. Não aguento mais o Juvenal e seus antenados todos os dias ensaiando em rede nacional. Não aguento mais o Brasil caminhando em ritmo lentíssimo a espera do fim desta festa e do início efetivo do ano de 2008.
“Quanto riso,quanta alegria, mais de mil palhaços no salão…”
Ah Carnaval!
…e ainda teremos que aturar o desfile da escola de samba campeã.
Olhar pelos olhos
Os olhos, como que atingidos por grãos de areia, insistem em se fechar. Esfrego-os, tento mantê-los abertos, mas tudo é inútil.
O cérebro manda mensagens de alerta para que algo seja feito. A luz que vem do monitor do computador parece penetrar no verde e branco do globo ocular.
E pensar que há pouco observavas com avidez os menores movimentos que te circundavam e agora já não podes olhar para as teclas que insistem em se manifestar publicamente.
Abandonas a idéia tenebrosa de olhar por olhar e fechas-te na tua insignificância, penetrando, só, nos teus próprios pensamentos e de devaneio em devaneio te perdes nesta teia que tu mesmo construístes.
Não são os olhos, não é o cérebro, não são os dedos que viajam pelo teclado, és tu que te perdestes e agora foges a um lugar incerto e não sabido.
Abra, abra os teus olhos e volte a enxergar.
Férias merecidas – parte 3
Já estamos em Imbituba. A descida da Serra do Rio do Rastro não foi como esperávamos, pois a neblina tomou conta de toda a serra e pouco pudemos ver daquelas curvas espetaculares.
Saímos de São Joaquim com uma chuva fininha e um frio de 16ºC, atravessamos a cidade de Bom Jardim da Serra com chuva e neblina. No mirante da polícia federal onde a vista em dias normais é linda estava tudo fechado, um dos policiais disse-nos que esta era a Pensilvânia de Santa Catarina tanta semelhamça com a original.
Descemos. Tiramos algumas fotos.
Andamos, andamos, atravessamos a cidade de Tubarão e por fim chegamos ao hotel, a Praia da Vila em Imbitua, o termômetro marcava 38º C.
Almoçar, preencher o cadastro no hotel, tomar posse do quarto (que demorou um pouco pois o nosso apartamento ainda estava sendo preparado) descansar um pouco, piscina do hotel e por fim a praia, a areia, o mar.
As águas estavam frias, no início, mas logo nos acostumamos e nos deliciamos com elas, mornas e límpidas.
Duas horas depois retornamos para o hotel, chimarrão, internet e já estava na hora do jantar. Muita salada, massas, arroz, filé ao molho madeira, peixe, frango e nem dá para colocar tudo pois a variedade era bem grande (sem esquecer as sobremesas).
A cidade de Imbituba não é uma cidade muito grande tem lá a sua avenida central, alguns prédios centenários e uma arquitetura mesclada com os edifícios modernos e casas bem antigas. Aqui ainda não chegou aquele boom imobiliário das praias do litoral gaúcho, o que talvez seja bom (está faltando um gaúcho aqui para instalar um bom restaurante).
Amanheceu nublado, já choveu mas o sol agora já está a pino e é para a praia que vamos.


Férias merecidas – Parte final
É quarta-feira, 30/01/2008, lá fora chove, estamos terminando de arrumar as malas para o nosso retorno, 7 dias nestas praias é pouco, pouquíssimo tempo.
Último café da manhã neste hotel, que já pareceu-me mais competente.
A viagem de volta corre normalmente ( apesar dos transtornos causados pela duplicação da BR 101), são 470 km de estrada o que dá para fazer uma retrospectiva dos fatos.
O início da viagem, a visita a São Joaquim, a descida da Serra do Rio do Rastro, a chegada ao hotel, a ida às praias, o museu da Baleia Franca, a mudança completa nos hábitos, inclusive conseguindo fazer com que os teus companheiros não assistam ao Big Brother Brasil 8, o que é uma vitória.
O que me encanta neste litoral catarinense é a mistura de praia com mata. Está-se numa praia, vai-se até o fim (ou início) e sobe-se pelo morro caminhando por trilhas sinuosas que os circundam, até chegar-se em outra praia e, é assim em quase todas elas.
Gostei muito da Praia Vermelha, que fica logo após a Praia do Rosa, cujo acesso só é possível via morro e a pé. Mas o que mais gostei mesmo foi da forma com que administram o acesso as praias, conservando as estradas estreitas, sem paralelepípedos ou asfalto, preservando árvores, dunas e morros, como por exemplo no acesso a Praia do Rosa e a Praia da Luz, em cujas areias, já perto do mar, quase atolamos.
Vale salientar que a mais urbana das praias é Garopaba, apesar de manter na orla as casas dos pescadores que dão um charme especial a cidade.
Já estamos programando um retorno para breve.
Foram sete belos dias que ficarão gravados em nossas retinas, apesar de bater-nos um sentimento de culpa, pois agora, já em casa, recebemos a notícia que nosso destemido gato Fredy desapareceu. Procuramos, chamamos por ele, perguntamos aos vizinhos, fizemos um cartaz com a foto dele comunicando o ocorrido e colamos na pizzaria, no armazém, na padaria vizinha, anunciamos na emissora de rádio local oferecendo até uma gratificação, mas nada, nenhum miado, nenhuma manifestação, ninguém viu o FREDY, que é um gato muito esperto, apesar de dócil não se relacionava facilmente com outras pessoas.
Não sabemos o que pensar.
Será que foi atropelado?Será que fugiu? Será que alguém vendo o sofrimento dele por estar tanto tempo longe de nós, demonstrando uma carência afetiva enorme, o pegou e está agora tentando preencher esta lacuna?
Precisamos notícias urgentemente. Se alguém levou o Fredy por engano, devolva-o. O sofrimento da família é enorme (não imaginava que existissem laços tão estreitos entre homens e animais) mas não perdemos as esperanças de encontrá-lo.
Volta Fredy, volta…