1 de setembro de 2010

E eu que pensava que não dormia nas viagens de ônibus

Nunca, nunca durmo no ônibus quando dele faço uso. Nem em viagens longas, nem em viagens curtas. Não sei o que se passa, entro, sento no meu banco, olho ao redor e vejo os bancos quase todos ocupados, o motorista dá a partida e lá permaneço, observando as estradas, a paisagem que geralmente é verde e bem florida, o entra e sai de passageiros, o liga e desliga das luzes internas, ouvindo a conversa de uns poucos que se habilitam a isso. Olhando novamente ao redor, aos bancos dianteiros, laterais ou traseiros, verifico que muitos, cochilam, dormem e até roncam e eu ali, firme, com os olhos bem abertos concentrado, sem conseguir desligar por completo.

Dia destes estava eu sentado no banco número cinco, a minha maletinha de pertences pessoais ao lado no banco seis, com o celular na mão esquerda, uma caneta e um papel na direita a espera de uma ligação com uma informação que julgava ser importante. O ônibus já se deslocando. Havia muitos banco vazios e logo a minha frente sentara um casal jovem, ambos morenos, ela de cabelos compridos e conversavam discretamente, sem estardalhaços, um falava ao ouvido do outro e parece que se entendiam muito bem, pois vez por outra trocavam um caloroso beijo e abraço.

O asfalto não é dos melhores, os pneus passam em buracos, desviam deles e a sinalização é muito fraca. A dupla que conduz o ônibus cerrada na cabine frontal conversa descontraidamente sobre temas que não consigo decifrar. A escuridão lá fora aos poucos toma conta. Olho para o banco logo a minha frente e não mais vejo o casal que tão apaixonadamente se acariciava. O relógio no pulso direito determina que já viajamos por vinte minutos e fico intrigado com a ausência do casal.

Será que eles foram abduzidos? Será que eles se teletransportaram porque a ansiedade de chegar ao destino era muito grande? Será que eles evaporaram porque o clima anda tão seco em certas regiões do país que está propício a isto?

Num curto espaço de tempo imaginei inúmeras situações que poderia envolver o sumiço do casal e esfregando os olhos que pareciam estar cheios de areia, percebo a presença de uma menininha de uns seis anos no banco lateral ao meu, deitada sobre  a poltrona, jogando Paciência no celular e me olhando sorrindo e sorrindo me olhando, acena com sua mão esquerda, o que me surpreende e, parafraseando, ou imitando, ou plagiando certos bichinhos  tomou? de uma certa propaganda de uma certa empresa de laticínios italiana a “Parmalat”, disse:

ACORDOU???

Pronto:

Estava resolvida a questão do casal que sentara no banco logo a frente do meu. Desceram numa parada perto do lugar em que queriam descer. Puxaram a campainha, o motorista parou, ligaram-se as luzes, eles se levantaram, pegaram suas bolsas na parte superior, dirigiram-se à porta de saída, desceram, a porta foi fechada, o ônibus partiu novamente e eu ali, não percebendo nada e sendo observado por uma menininha de seis anos que ainda jogava no celular e que ajudou a decifrar este enigma que eu mesmo criei.

Tudo bem, dou a mão à palmatória. Não sou tão perfeito assim. Também durmo no ônibus, mas não precisa vir nenhuma menininha esperta para me chamar à realidade e fazer perceber que todas as certezas do mundo são mutáveis.

31 de agosto de 2010

Revista Perspectivas

Ler livros pela Internet já se tornou corriqueiro  e hoje quero indicar a Revista Perspectivas que a Lunna e a Suzana lançaram aqui no Bookes. Como sou metido, oferecido, imploro por espaço elas me convidaram para publicar algo, estou presente lá, com a Luma, a Madalena e outros tantos. Esta é a capa da Revista:

Espero que visitem!!!!

30 de agosto de 2010

Fotografias inocentes e o nu de Jaqueline Onássis na playboy americana de 1973 proibida no Brasil

Tinha eu lá meus treze anos, morávamos ali, na “Rua Seca, nº 256″, segunda casa depois da igreja, aquela que tinha uma fila de laranjeiras, um forno de tijolos e barro ao lado da casa onde eram feitos os pães de milho coloniais para a família, uma ameixeira e uma árvore de caqui, mais ao fundo.

Rua Seca porque somente as oito casas mais pertos da caixa d’água central tinham água encanada e as demais se abasteciam em uma torneira que estava colocada estrategicamente onde hoje está o cemitério.

Meu irmão mais velho conseguiu um emprego em outra cidade e só vinha para casa nos fins de semana. Época de vacas magríssimas, nossa casa tinha três quartos, o do casal, dos filhos homens e das filhas mulheres (que aliás nem lâmpada com energia elétrica tinha), e nós, eu e meu irmão mais novo ficamos muito felizes pois, pelo menos nos dias de semana, o quarto era completamente nosso. Uma cama de casal, uma de solteiro, roupeiro não tinha, as poucas roupas eram guardadas no das irmãs.

Em um fim de semana qualquer, meu irmão mais velho resolveu cuidar da decoração do quarto  ( Já tinha lá um aparelho de som da Telefunken, bem moderno, com três caixas de som onde podíamos ouvir as emissoras FM que à época engatinhavam no “dial”, as paredes de madeira apresentavam frestas entre uma táboa e outra, que no inverno sulista provocava assobios como aqueles nos westerns americanos pela força do vento minuano, que curtíamos enquanto a mãe não colocava panos entre elas para deixar o frio no lado externo da casa. Não foi uma nem duas vezes em que estávamos dormindo e caia sobre nossas cabeças partículas da cal, as vezes branca, as vezes azul (cal branco com anil) tinta com a qual as paredes do quarto eram pintadas.) e trouxe alguns posters de ídolos das telenovelas extraídos da Revista Capricho e da Playboy americana de 1973 que publicou Jaqueline Onássis nua. não sei como ele conseguiu pois a circulação da revista no Brasil estava proibida – bons tempos aqueles…

Até que ficou bom, mas na semana, enquanto ele estava fora da cidade, resolvemos ajudar. Fomos até a casa da nossa avó e vasculhamos as Revistas ” OCruzeiro”, antigas,  que eles guardavam numa sala, dentro de uma escrivaninha, tipo aquelas para desenhistas trabalharem e escolhemos e recortamos, e recortamos, até que tínhamos o suficiente para encher o quarto todo. A parede da esquerda, da direita, da frente, a parede de trás e até o teto, pronto, deu trabalho, mas, a nosso juíso, estava perfeito, e a decoração agora contava com fotografia de mulheres de todos os tipos, só que, na nossa inocência(?)   de 13 e 12 anos, todas elas estavam vestidas e bem vestidas, com roupas longas, com casacões, com cabelos e rostos bem arrumados, com fotografias só do rosto e nenhuma fotografia com poses eróticas e mulheres nuas, nem fazendo poses portando longas piteiras e a fumaça sendo assoprada de suas bocas,  que era a intenção  do meu irmão.

Claro que no fim de semana, quando ele regressou ao nosso convívio, ele ficou endiabrado e tivemos que correr por muito tempo, rua acima e ele atrás, rua abaixo e ele atrás, ao redor da casa, até que ele nos alcançou e, cordialmente, fomos  convidados a remover toda a decoração que colocamos, depois de levarmos uns “amáveis” tapas e socos que “nem doeram nada”.

Não entendemos bem porque mas, também, depois de tudo, resolvemos aceitar e nunca mais ajudamos na decoração, nem na conservação do que ele lá colocava…

27 de agosto de 2010

Frutas para incluir nos nossos cardápios

Não é só de carne, ou de cachorros-quentes, nem de gostosas pizzas ou sonhos que devemos viver. Prazeres maiores ou menores serão sentidos de acordo com nossas vontades ou limitações. Além dos sanduíches saudáveis que eu também recomendo, vejam na foto o que adicionamos ao nosso cardápio diário. Mamões, bananas, maçãs, melões, mangas e tantas outras frutas que esta maravilhosa natureza  nos propicia sem exigir muito.

Ok, ok, podemos fechar um olho e nos deliciarmos com esta sobremesa, mas tudo com muita disciplina e sem exageros porque precisamos manter a forma e não ter necessidade de Emagrecer tomando água, depois.

26 de agosto de 2010

Filósofos e pensadores do século XXI

O “Pavão” nome sugestivo, mas fictício é um grande filósofo. De botequim. Pensador compulsivo e com uma retórica eloquente.

Seu cabelo rastafari é uma característica que o identifica em toda cidade e sua simpatia abre quase todas as portas onde ele penetra com toda sua habilidade para vender seus CD’s e DVD’s piratas (já nem sabemos mais quem faz a pirataria maior)

É discreto, flutua entre os cristais como as abelhas e as borboletas que sobrevoam as plantações de girassóis,

mas hoje ele se superou: Misturou grãos de milho de grão em grão a galinha enche o papo com grão de areia e a insignificância que nós representamos em meio ao emaranhado que é esta vida nesta nossa sociedade e os inúmeros desertos que nós mesmos criamos.

Em cada visita ele nos deixa algumas reflexões e hoje, também, deixou alguns dvd’s que acabei comprando para que ele somasse mais alguns reais em sua poupança que no tempo oportuno será usada para satisfazer um sonho que espera “não estar sonhando só”.

Mas isto é assunto para outro dia.

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