Harmonia

porKeeperCookie Posted dez 13, 2018

Harmonia

A cidade quase dorme.

Observamos as luzes que a iluminam do alto do morro em que nos encontramos. Elas piscam e se concentram e se alastram até onde a vista alcança. Lá ao longe vemos a torre da igreja iluminada e ouvimos o sino tocar. A lua desponta e aos poucos ilumina a escuridão. Estamos sentados nesta grande pedra olhando o horizonte e percebendo que o dia se esvai. Os pássaros já se calaram e agora as corujas tomam o seu lugar.

Será que o paraíso é aqui e nem percebemos?

ibiscos

O terreno é íngreme, há árvores, há flores. Vez por outra descemos o gramado até a fonte daquela água límpida que usamos para beber e para molhar o gramado que plantamos. E cortamos as gramas e arrancamos o inço e plantamos ibíscos e comemos bergamotas e observamos os  tucanos que sobrevoam o mato de eucaliptos e trocamos idéias sobre a planta da casa que tu desenhastes e sorrimos felizes com nossos feitos, mas cansados saímos do paraíso harmonioso e voltamos à cidade.

A cidade agora dorme e nós em retorno passamos pelas ruas desertas de homens, de cores e de sentimentos.

A plantação e a construção continuam.

porKeeperCookie Posted set 1, 2011

A chuva e seus efeitos sobre o nosso corpo e nossa alma

O rádio ligado no AM emite o som característico de descargas elétricas vindas dos relâmpagos e trovões que a distância já se anunciam.            O som aumentando, raios cruzando o céu e deixando um rastro branco de ramificações tipo raízes de árvores estrondosas. Os trovões produzidos pelos raios se acotovelam e tentar rasgar o céu em pedaços de tanto barulho que fazem. Chove.

Gosto de ouvir os primeiros pingos da chuva batendo nas folhas das árvores, nas flores e nos paralelepípedos que descem a rua, tranquilamentes,  na contramão. Meu gato deitado nas britas do pátio da casa, parecendo um faquir em sua cama de pregos, corre fugindo dos pingos que insistem em molhar seus pelos macios. A chuva engrossa e já molha as pessoas que a esperavam e no entanto, agora, correm em todas as direções. O céu está escuro, chove e chove e chove. Observo a chuva e ela vai batendo no telhado das casas e vai deslizando pelas calhas até chegar nas sarjetas e acabar-se nas margens do arroio da cidade.

Gosto de ouvir os primeiros pingos da chuva e os segundos e os terceiros e todos os que caem e lavam minha alma. Gosto de perceber que a chuva transforma o ambiente, as pessoas e o estado de espírito.

O gato está de volta, roça sua cabeça em minhas pernas e se deita esticado na calçada, os raios não mais percebo e o som dos trovões se ouve bem ao longe parecendo o som de um carro que desce a colina a procura de uma garagem já encontrada.

Não chove mais. Já baixou a temperatura. Vou recolher-me a minha insignificância diante desta natureza que me encanta cada vez mais.

porKeeperCookie Posted abr 30, 2011

O sonho da chuva

Tudo está preparado. As nuvens outrora claras e leves, agora escuras e pesadas. Os primeiros pingos caem, todos correm. Não há mais ninguém no paralelepípedo…a não ser eu…Eu que quero sentir de perto, que quero conhecer a chuva no seu íntimo.

Sinto tudo vazio, sinto-me leve, tenho vontade de voar. Parece que estou drogado, ou será que estou hipnotizado?  Nada vejo, mas sinto que somente existem eu e a chuva. Chuva em pingos passageiros que passam e deixam meus cabelos molhados, meu corpo encharcado…

Saio correndo para fugir, mas fugir de que se não vejo nada!!! Vejo sim, vejo meu sonho acabar, mas estou feliz. Feliz porque molhei o cérebro. O cerébro ficou limpo e agora está chovendo. Chovendo no meu interior…

Sinto tudo molhado…

Molhado e acabado…

porKeeperCookie Posted abr 28, 2011

A mão esquerda

A porta dos fundos daquela casa sombria, com seus pinheiros orientais plantados em fila e enclausurados pelas fortes grades pintadas de preto e cujas setas de ferro apontam silenciosamente para o céu, batia,  movido pelo vento forte que soprava.

Um odor funesto penetrava nas narinas de quem aventurava-se a adentrar pela porta a vasculhar e a matar a curiosidade.

A casa estava com as luzes, todas, ligadas e mariposas bailavam ao redor da lâmpada na cozinha. Estava quente e a banheira transbordava água por conta de uma torneira não fechada, no banheiro. Um disco arranhado tocava na vitrola e repetia sempre o mesmo verso e som.

Na sala o odor aumentava e a suspeita de corpos estirados, no piso frio, aumentava.

Na frente da TV de 29′ cujo tubo de imagem estava quebrado e em meio aos cacos de vidro, uma caixa contendo lâminas com uma gota de sangue em cada, jazia e era dali que o odor partia, da coleção de lâminas com os sangue dos assassinados, cuja caixa foi jogada para fora de mais um episódio do Dexter.

Vermelho como sangue. Era sangue. Era muito sangue para pouca ladeira.

Misteriosamente.

porKeeperCookie Posted abr 27, 2011

Focos de luz

Para todos os lados que olho, vejo e não vejo, observo e não observo, penetro e não penetro na mensagem da imagem que se esconde no fundo da gaveta, pra todos os lados que o olhar – datas marcadas.
Reformulando :   nada de gavetas,
está bem a mostra, claramente, lucidamente. Não. Não há gavetas. Calma!
Pra todos os lados o olhar e se esconde no fundo da gaveta, faz de conta, lucidez das datas marcadas… nao tem lucidez, não há datas marcadas…
Balde de tinta vazio, pincéis pincelam mensagens.
O relógio do tempo traçando partidas e chegadas,
badala, badala e avisa.

Ofertas:  lágrimas e sorrisos.
As malas recheadas de álbuns de retratos, autorretrato completamente sentir.
Ver e rever, ver e ver-se, preto e branco, colorido. As vozes conhecidas na sensação, tremores, pele eriçada…

Malas prontas pra viagem.

E do ver e rever ingredientes que fermentam e recriam e criam e são absorvidos…

Cartões-postais de antiga cidade.

Ruas, ruelas, becos.

O vestígio aparente por trás da porta do armário, trancado com a chave perdida. O que se esconde em pequenas caixas, ou no fundo das gavetas.
O outdoor da vida computadorizado, ocupando espaços que, se não, seriam abstratos. Com o céu escuro e em questão de segundos…
relâmpagos e trovões apavoram.
Madrugadas, gavetas e amor.

Ouve-se os passos no corredor, a porta entre, aberta entreaberta.

Mente à decoração das letras.
obviedades simulam conclusões,
letras se transformam
em palavras, e versos rompem toda máscara exterior.

porKeeperCookie Posted abr 25, 2011

Escolhas

O corpo manifesta intenções que chegam ao nosso cerébro treinado a agir sempre com a razão.
O cérebro responde. A emoção não suporta as ordens.

A razão e a emoção se enfrentam e na arena o leão será vencido pelo gladiador, mas lá da arquibancada a indicação de negativo ou positivo decretará  o fim da história e outro leão e outro gladiador e outros homens se enfrentarão para o deleite de uns poucos e circo em substituição ao pão, de outros.

Sentimentos bipolares capitalizados petrificam vontades e ramificam matizes.

Quereres estrapolados invertem pensares.

Caminhos esculpidos na madeira de árvores seculares, derrubam obstáculos.

Seguir em frente ou voltar os olhos para um ontem que aprisionava? Razão ou emoção?

Existem escolhas…

porKeeperCookie Posted abr 24, 2011

Poema curto I

Um pequeno infinito,
da sensibilidade como vício.
O sentido microscópico eleva saberes.
As palavras pensam,
e o ar que resta expelido é.
O que respira horizonte,
peles, arrepios e poros transbordam.
A nobreza do sublime sacrifício
inspiração particular,
e a palavra renasce
as entrelinhas da expansão.

porKeeperCookie Posted jan 18, 2011

Mistério

Meia noite. Noite inteira. Escura noite.

Vestido longo preto com um corte lateral. Capuz na cabeça de um rosto assustado.

Corrida ladeira abaixo, mal iluminada.

Observo a pressa.

O cão rosna deitado na sarjeta ao sentir o vácuo criado pelo vulto negro a correr.

Enfim, abre a porta do edifício Estela, olha para trás como que a conferir se a estavam seguindo. Fecha.

Sobe e lá de baixo vejo a luz do 303 ligar.

Desisto e continuo minha caminhada.  Passos abaixo um barulho faz-se ouvir.

Volto-me a tempo de ver um corpo feminino estatelar-se no chão.

Agora é que o mistério re/começa.

porKeeperCookie Posted jan 16, 2011

Ego/ístas

O egoísmo exacerbado provoca a ira dos que não o são e na imensidão do universo,

almas penam por saídas in/acabadas.

Motores roncam e impulsionam vítimas contumazes  de encontro ao meio fio. Sirenes tocam e quando a última gota de sangue é lavada a polícia aparece.

Confusão apocalíptica, no fim.

O livro re/inicia e suas páginas finas re/contam a história envoltas nas capas pretas e duras.

Eu lavo minha mãos…

porKeeperCookie Posted jan 14, 2011

Da obsessão à depressão é só um passo

A busca pelo corpo perfeito me deixa perplexo e esta cultura massificada nos meios de comunicação, em comerciais, nos filmes, nas novelas e nos BBB’s da vida, impõe a nossa população, que é descamisada e faminta, regras que eles não podem seguir.

Da obsessão à depressão é só um passo.

Se fosse pela saúde, pelo melhor funcionamento dos órgãos do corpo humano, por uma dieta mais saudável, por uma longevidade necessária para aproveitar todas as inovações científicas, tecnológicas e espirituais, até poder-se-ia entender, mas só pelo exibicionismo, não, não!!!

Faz lembrar-me do professor de Educação Física que tive no ensino fundamental.lá longe, no século passado Fazíamos a 6ª série, tínhamos aula no turno da tarde, cinco guris que poderiam dormir não existia internet até o meio dia, almoçar e ir, direto, à escola às 13:00 horas, mas não era isto o que acontecia.

Incentivados pelo professor Chico, levantávamos bem cedinho, antes das seis da manhã, eu, o Heitor, o Batata, o Flávio, o Gordinho e as vezes por um ou outro não tão assíduos,calçávamos nosso all star azul kichute ou nossa conga azul, calção curto, camiseta branca e íamos ao campo de futebol do time da cidade fazer exercícios físicos e como complemento, uma pelada de futebol, goleirinhas no meio do campo e só valia gol a dois passos dela. Gastávamos muita energia.

Éramos jovens mais mas esta consciência nos era criada por alguém que nem precisaria estar ali, sem remuneração, mas a dedicação era ímpar e olha que aqui no sul do Brasil tem dias que a temperatura chega abaixo de 0ºC , a neblina é muito espessa e muitas vezes a geada ainda se manifestava no campo e nós já lá estávamos a correr voltas ao redor  do gramado para aquecer.

E o que tem isto “tudo a ver”?

É que precisamos levar uma vida regrada desde cedo, sem excessos, equilibrada sei que não é fácil fazer exercícios e levar a vida como a vida nos levar.

Sem obsessões!!!

Sem depressões!!!